Como alguns de vós devem saber – casei-me.

E depois do evento (que foi pequeno, bonito e íntimo) tivemos que escolher para onde ir de lua de mel. Pensámos em Roma, Paris e Veneza, mas pareceu-nos sempre que não importava onde iríamos, mas sim que fosse para relaxar e descobrir lugares novos. E foi aqui que nos apercebemos que temos inúmeros lugares por descobrir em Portugal. Daí este blog.

E escolhemos a Serra de Sintra.

Ambos já lá estivemos, mas só de passagem. E agora tínhamos dias para puder usufruir de uma verdadeira aventura.

Onde Ficar

Ficámos no Vila Galé de Sintra 4 noites. Situado um pouco mais a norte da vila, é um repouso absoluto. A piscina interior é simplesmente espetacular para ver o pôr-do-sol enquanto se relaxa de um dia longo de caminhada. O pequeno-almoço tem opções saudáveis e variadas. Adorei o pão e, confesso, os cupcakes de chocolate. Desaconselho é o restaurante, que experimentámos uma vez e foi uma verdadeira desilusão. Nem me queixo do preço (57€ para duas pessoas), pois este é um restaurante num hotel de cinco estrelas, mas o prato foi servido com pouca comida e sem quaisquer hidratos (pedi um peito de frango que veio cortado com queijo e tomate) e o único acompanhamento foi uma cama de espargos. O serviço foi simpático mas pouco profissional. Pedimos na última noite chá e nem num bule foi servido e tivemos que meter nós as bolsas de chá numa chávena com água a ferver. 2.50€ cada chá. Boas intenções com um serviço aquém.

 

 

 

O que visitar em Sintra

Palácio da Pena

Vamos começar pelo famoso Palácio da Pena. Sem rodeios – foi uma desilusão.

Fomos de carro até Sintra, e foi um verdadeiro filme para encontrar o caminho certo para o Palácio, pois algumas ruas estavam cortadas pela polícia e o GPS já estava a exasperar mais do que eu. Lá fomos dar a volta à Serra de Sintra. Estacionámos no Vale do Lagos, no sopé da Serra e lá fomos a subir e a bufar até ao Palácio.

Entenda-se que não foi propriamente o palácio que me desiludiu, com as suas bem conservadas formas fantásticas e cores vibrantes. Nem a sua vista privilegiada da vila e Serra em redor.

Foi sim a quantidade de visitantes. Simplesmente detesto estar em filas e sentir-me um cordeiro pronto para a matança. Demorámos literalmente quase 40 minutos para entrar no palácio propriamente dito.

Não se pode tirar fotografias no interior. Mesmo sem flash. Não me posso verdadeiramente queixar. Lá terão as suas razões, e lá não tirei fotos. As duas fotos acima são da pequena capela do palácio.

O interior ricamente decorado transmite-nos a noção de quão pobre realmente somos, pois não temos quartos para tomar o chá ou para pintar. Mas um T2 em Lisboa agora vale tanto como um palácio naqueles tempos.

Apesar do volume normalmente alto das vozes americanas, chinesas e espanholas, a contemplação do espaço foi sóbria e relaxada. É também um espaço que incita à festa e celebração. As cores são fortes e a luxuria dá-nos a sensação de estarmos num cenário de qualquer filme medieval onde o nosso sangue vermelho tem toques de azul.

Gostei, mas talvez no inverno haja menos gritos e se aproveite mais.

 

Dicas:

  • Deixa mesmo o carro cá em baixo e sobre a pé. Apesar de ser um bem-vindo exercício, existem caminhos para pedrestes que cortam as curvas e são mesmo muito bonitos.
  • Aluga o audio-guia. Não te vais arrepender. Para além de informativo é bem mais fixe do que olhares para as paredes sem perceber nada do que é aquilo.
  • Vai por volta das 17h00, onde a luz ainda é boa e menos forte para fotografar e as grandes excursões já se foram embora.
  • Aproveita as varandas e faz o caminho (ronda) à volta do palácio. Tem umas vistas fantásticas e tem muito menos gente.

Parque da Serra de Sintra

 

Depois de explorares o Palácio da Pena, aqui é que reside a verdadeira beleza de Sintra – O Parque.

Fiquei maravilhado com o cuidado e com a preservação quase intacta de um verdadeiro património que é esta Serra. O espaço não só chama pelo silêncio e contemplação, mas os caminhos evocam um eterno percurso entre as mais variadas faunas aqui presentes. Os lagos, fontes e pequenos riachos com pontes do mesmo tamanho, fazem deste lugar um lugar mágico. À sombra de um sol forte, passámos o dia a caminhar. Percorremos todo o parque.

Com os pés pesados e a alma leve.

Aqui encontrámos paz e um refúgio do centro turístico que Sintra acabou por se tornar. Aqui encontrámos silêncio. Aqui podemos apreciar não só a nossa companhia mas também toda a envolvência. Aqui encontrámos o passado e a razão de este sítio ser tão especial.

Subimos até à Cruz Alta, no ponto mais alto da Serra. E que vista! O palácio vê-se como na fotografia à direita.

Para chegar até à Cruz, tivemos que passar pelo Guardião da Serra e por um miradouro que já não dá para ver nada devido ao tamanho das árvores.

Passámos por lagos e entrámos em cavernas.

 

Descemos por caminhos entre rochas e passámos por casas de jardineiros super fofas.

 

Descobrimos uma quinta com cabras, ovelhas e cavalos. Demos festas aos cavalos. Foi fofo. Não tirei foto porque os cavalos eram demasiado fofos para me ter afastado! Foi um dia espetacular. Quando voltar venho com mais tempo e um livro para me perder.

 

 

Dicas:

  • Leva muita água e comida. Os quiosques cobram no mínimo 1.70€ por água e 6€ por uma sandes nojenta.
  • Se puderes despender um dia inteiro – força. Não te vais arrepender.
  • Leva uma mapa e confirma que visitaste todos os pontos. Todos valem a pena.
  • Leva sapatilhas confortáveis ou botas.
  • Se já visitaste volta e leva um livro.

Castelo dos Mouros

Tenho quase a certeza que “mouro” não é um elogio. Mas o castelo é mesmo fantástico. De novo, o trabalho de preservação é simplesmente sublime.

Depois de explorar o parque fomos até ao Castelo dos Mouros ao descer a Serra.

O Castelo por si são só muralhas no topo da Serra, com uma vista completamente arrebatadora. Dizer que tem muito para ver seria um enorme exagero mas a visita vale a pena simplesmente para perceber que aqui um povo islâmico fez a sua casa e que perdurou até hoje, e com uma vista panorâmica até ao mar.

Ainda é visitável a cisterna e podemos ver onde guardavam cereais e alguns esqueletos.

Dicas:

  • Estaciona ao pé do Vale dos Lagos.
  • Há pouco para ver por isso presta a atenção e aprecia.
  • Vai ao fim da tarde, menos gente e o pôr-do-sol é qualquer coisa de outro mundo.
  • Vai mais abaixo até à “casa do guarda” e bebe qualquer coisa rodeado das árvores.

 

Palácio de Sintra

 

Mais um palácio, este no centro da vila. Foi uma agradável surpresa. Apesar de ter bastantes turistas a navegação no palácio era mais solta e podíamos demorar numa outra sala. Adorei a amabilidade do staff (deixaram-me colocar a minha enorme mochila da câmara fotográfica na receção) e a qualidade dos restauros. A fotografia acima do Palácio de Sintra foi tirada desde o Castelo dos Mouros.

Adorei a lenda do “Por Bem”, que pode ser lido no teto na fotografia acima. E mais não conto porque é mesmo uma bela surpresa! Ahahah

Adorei também a zona de duche, onde existem pequenos furos nas paredes onde brotaria água. Fotografia em baixo.

Mas obviamente o que mais me impressionou foi a sala dos brasões das casas mais influentes naquela época. A família Costa lá conta!

Dicas:

  • Estaciona num dos parques de estacionamento novos mas perto da parte “nova” da vila. Eu estacionei na rua “volta do duche” que por sorte encontrei lugar, mas é uma questão de sorte. Em Sintra paga-se estacionamento em qualquer lugar. Mais vale andar a pé.
  • Aluga o audio-guia. Não te vais arrepender. Tem histórias curiosas e também observações óbvias.
  • Vai logo de manhã, menos gente e a luz aqui é complicada.
  • Leva uma mochila pequena. Terás que a levar voltada para a frente pois poderás deitar qualquer coisa ao chão.
  • Come um doce mesmo à frente da praça do palácio, na Piriquita, e explora as ruas que sobem.

Convento dos Capuchos

O sítio mais bonito e bem preservado de Sintra, na minha modesta opinião.

Aqui o silêncio ainda se faz sentir.

Aqui ainda existe uma aura de apreciação da natureza. Desde a sua entrada quase imperceptível, à modéstia exacerbada dos antigos monges, que aqui fizeram o seu convento, este é um lugar para se respeitar.

Não é difícil imaginarmos-nos no lugar dos monges e ver como eles viviam. E ainda mais fácil é apreciarmos aquelas paredes toscas que respeitaram as formas da natureza à sua volta.

É fácil também cairmos num silêncio contemplativo. A escutar atentamente o audio-guia que nos conta a vida rígida destes homens, como o Frade Honório, que dormiu 30 anos debaixo de umas rochas, recusando o pouco conforto que o seu quarto lhe provia.

Dicas:

  • Estaciona no parque mesmo em frente à porta.
  • Aluga o audio-guia. Não te vais arrepender.

Quinta da Regaleira

 

A Quinta da Regaleira veio em último, porque simplesmente é o lugar que todos nós associamos a Sintra, para além do Palácio da Pena. É o sítio da famosa escadaria, o poço de iniciação. É o lugar que toda a gente quer visitar. E por isso mesmo parece uma disneyland. Tanta, mas tanta gente, que o lugar que claramente evoca a contemplação, ao silêncio e à maravilha, é interrompido com gritos asiáticos e de guia que falam para multidões de pessoas.

Não posso dizer que me incomodou tanto como no Palácio da Pena, mas aqui o lugar merecia melhor.

Mas a visita não desapontou por e simplesmente porque o lugar é verdadeiramente especial. Acabamos por almoçar no pequeno bar lá dentro e despendemos de um dia a fazer cada trilho.

Deixámos o carro no sopé da Serra e fomos a pé porque as estradas estavam cortas e o GPS já estava a chorar. Acabámos por encontrar primeiro o muro da Quinta. Nesta altura não sabíamos que era o muro, pois passámos por um bocado onde facilmente teríamos saltado. Chegámos suados mas com vontade de visitar.

De destacar o poço, que demorei mais de meia hora para fotografar sem pessoas. Que para além do ruído humano é mesmo muito bonito. Não levei filtro nem tripé por isso estas fotos estão uma desgraça. Mas fica a intenção.

Dicas:

  • Vai a pé. Nem penses em estacionar perto.
  • O audio-guia é indispensável.

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

en_GBEnglish
pt_PTPortuguese en_GBEnglish