Este filme não era para ser nada disto.
 
O resultado final não tem nada a ver com o pretendi no início. Não é que não goste do filme nem do resultado final, mas tive a sensação que não consegui captar o que queria, nem como queria. Mais do que muitos foram os obstáculos e imprevistos, muitos mais do que os normais nesta área que vive de espontaneidade. 
 
Primeiro, fiquei chateado. As sessões não aconteceram, por falta de autorizações, tempo ou mesmo logística. Depois fiquei frustrado, a incapacidade de fazer e a enorme vontade de fazer mais deixou-me completamente por terra. E no final apercebi-me.
 
É este o mundo da cozinha.
 
A cozinha é feita disto. De imprevistos, de matéria prima em falta, ou com defeito. De cozinheiros indispensáveis que ficam doentes, de clientes bons e outros péssimos. De equipamento que deixa de trabalhar como se estivesse de greve. É de horas gigantes que se estendem de sol a sol. É de manhãs de preparação e de noites de ação. A cozinha é de gente dura, com garra. De gente que persiste e insiste em entregar o melhor de si para os outros provarem. A cozinha é feita de testes que são feitos para se chumbarem, e que ninguém se atreve a chumbar. A cozinha é feita de gente que re-inventa tradições, de artistas com aço nas mãos e brilho nos olhos. A cozinha é para quem quer mesmo. A cozinha é feita de anti-heróis.
 
Este vídeo é para eles.

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